Página Inicial

A Metodologia PESA

Baseado na preocupação com eqüidade frente às famílias de produção de pequena escala, o PESACRE modificou a metodologia de Farming Systems Research and Extension/FSRC e adaptou-a para a região, enfatizando uma estratégia de pesquisa e extensão descentralizada.
Esta forma de intervenção enfoca demonstrações na propriedade, buscando compreender o potencial e as limitações locais, enquanto respeita as prioridades e as necessidades observadas na unidade produtiva familiar.

A metodologia de FSRE contempla pesquisa nas propriedades agrícolas de recursos limitados e de pequena escala levando em conta as condições que as rodeiam (Hildebrand and Poey 1985). Esta orientação contempla a produção agrícola como um sistema que está em constante interação com os contextos biológicos/climáticos assim como os sócio-econômicos (Hildebrand e Dean 1983). Uma vez que este enfoque se concentra nas propriedades agrícolas e nas famílias que as ocupam, reconhece-se, sobretudo, a heterogeneidade dentro e entre as propriedades agrícolas.

É possível entender os princípios da FSRE observando-se sua principal ferramenta de diagnóstico, o sondeio, que serve para identificar as necessidades da comunidade e monitorar os objetivos dos projetos a serem levados a cabo (Hildebrand e Ruano 1982). O sondeio é um estudo de campo através do qual os pesquisadores realizam entrevistas rápidas e interdisciplinares. Este instrumento é utilizado para familiarizar os pesquisadores com a área onde vão estabelecer seus trabalhos e para que a pesquisa contemple de maneira efetiva as condições agro-climáticas e sócio-econômicas do ambiente estudado (Hildebrand e Ruano 1982).
O Sondeio reúne pesquisadores de diferentes disciplinas que raras vezes têm oportunidade de trabalhar conjuntamente. Ainda que no princípio pareça oneroso agrupar todos os pesquisadores no campo, estes custos são recuperados no momento em que se evita uma pesquisa que não dê resultado algum ou que gere uma tecnologia inapropriada. A PESA não difere enormemente da metodologia de FSRE original. Ela é centralizada nas populações-beneficiárias com as quais o PESACRE trabalha (micro orientação) e é mais integrada com outros mecanismos de desenvolvimento agrícola (multidisciplinar e interinstitucional).
A mais peculiar das características dessa metodologia é indubitavelmente o forte sentido comunitário desenvolvido pelo PESACRE e as famílias envolvidas nos programas e atividades agrícolas.Desse Modo, a PESA é um método interativo, participativo, dinâmico e não-paternalista, com uma visão multidisciplinar que reconhece as influências do domínio da unidade produtiva na determinação do desenvolvimento sustentável (Barbosa et al. 1994).

A família de pequenos produtores é considerada um agente ativo do processo de desenvolvimento; ela se constitui no público que deve participar das experiências a serem desenvolvidas, dentro de suas condições de recursos limitados, demandas sociais e de acordo com suas expectativas de transformação social que se baseiam nas mudanças inerentes ao seu ciclo de vida. Como outras metodologias de pesquisa participativa, vale ressaltar que a PESA oferece condições para que se reconheça a heterogeneidade das comunidades, inclusive suas diferenciações e conflitos internos, quando de sua aplicação junto às populações rurais.
Ao direcionar qualquer intervenção, é fundamental reconhecer que o comportamento das famílias difere de uma família para outra, e até de indivíduo para indivíduo, frente à tomada de decisões. Na PESA, as tecnologias são testadas através de experimentos nas propriedades, o que permite uma maior colaboração entre produtores e pesquisadores, criando uma mais profunda compreensão e integração dos sistemas de produção.

A PESA proporciona a avaliação e a validação de inovações tecnológicas sob específicas condições ambientais e de gerenciamento nas quais elas serão utilizadas. Isto proporciona, por sua vez, um canal de troca de experiências entre produtores, pesquisadores, extensionistas e políticos locais, com a atenção voltada para os anseios, necessidades e limitações de todos os envolvidos no processo. Ademais, esta perspectiva metodológica facilita a adaptação e adoção de tecnologias geradas nas instituições de pesquisa agrícola. Os problemas da produção são identificados "in loco" e estudados nos centros de pesquisa. De volta ao campo, são feitos ajustes nas tecnologias de uma maneira tal que melhor as integre no sistema de produção como um todo.